Carta de Meu Amor

Hertfordshire, 15 de outubro de 1813.

À senhorita Elizabeth Bennet,

Permita-me, antes de tudo, expressar minha sincera admiração por sua inteligência e vivacidade, qualidades estas que, desde nosso primeiro encontro, despertaram em mim sentimentos que, confesso, lutei por compreender.

Reconheço que minhas atitudes passadas foram marcadas por um orgulho indevido, fruto de uma educação rígida e de uma visão limitada acerca das relações humanas. No entanto, ao refletir sobre nossas conversas e, sobretudo, sobre suas palavras francas, percebo o quanto fui injusto em meus julgamentos — não apenas em relação à sua família, mas também em relação à senhora.

Se outrora considerei minhas circunstâncias superiores como justificativa para minhas reservas, hoje entendo que tais pensamentos eram nada mais que vaidade disfarçada. A verdade é que seu espírito livre e sua coragem em confrontar-me revelaram falhas que eu jamais havia ousado reconhecer.

Assim, escrevo-lhe não apenas para esclarecer meus sentimentos, mas para afirmar que eles permanecem — ainda mais intensos, ainda mais sinceros —, independentemente de quaisquer obstáculos sociais ou pessoais que possam existir entre nós.

Se ainda houver em seu coração alguma consideração por mim, ouso esperar que minhas palavras sejam recebidas com a mesma honestidade com que são escritas.

Atenciosamente,

Fitzwilliam Darcy